Do jeito que está, a Europa não fica

setembro 6, 2011

Os europeus não são diferentes de nós. Em especial, os políticos europeus não são diferentes dos daqui. Se parecem cometer menos atentados ao dinheiro público, é só porque os mecanismos de controle de lá funcionam melhor que os daqui.

E esse é todo o problema: esses mecanismos funcionam para processar o prefeito de Paris se contratar empresas fantasma, mas não parecem ser suficientes para evitar que o presidente da França proteja os banqueiros de seu país dos efeitos das próprias decisões (ruins).

Muitos bancos da Europa estão mal. Estão cheios de títulos de dívida de países que vão dar calote – ou reestruturar suas dívidas com grandes descontos para os credores – o que é bem parecido.

França, Alemanha e outros deviriam então forçar os bancos a se capitalizarem, a se prepararem para o calote que vem aí. Mas em tempos de crise, a boa administração vira detalhe e o “meu pirão primeiro” vira a regra.  Gritar mais alto, ou mais perto do ouvido do governo, garante o melhor pedaço do bolo. Não há boas instituições para obrigar os governantes a fazer logo os ajustes em vez de empurrar com a barriga.

O governo alemão vai empurrar o quanto puder (até depois das próximas eleições) o ajuste grego. A Grécia faliu, vai dar calote, todo mundo sabe. Mas ficam todos fingindo que não, que está tudo sob controle…

Há alguns anos, um professor da Universidade de Havard propôs a tese de que o efeito das crises sobre diferentes países é inversamente proporcional à qualidade de suas instituições. Quer dizer, melhores instituições impedem que o governo seja tendencioso demais na hora de dividir a conta da crise. São as instituições que fazem o governo ser racional, não os políticos.

Bom, a Europa precisa de novas instituições – pode ser um Tesouro Europeu comum, um Parlamento Europeu com mais poderes ou um FMI mais incisivo na cobrança dos ajustes, não sei. Mas, deixadas na mão de presidentes e primeiros ministros preocupados só com o eleitorado da província (e só com o efeito da crise até a próxima eleição), as políticas contra a crise ficarão longe do ideal.

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