É por maldade?

julho 23, 2011

O trem bala é uma prioridade e não saiu da agenda do governo. A inflação será contida sem queda no crescimento econômico. E outra prioridade do governo é a política industrial.

Essa sequência assustadora de declarações foi feita ontem, pela presidente da República.

Não faltam artigos de jornal lembrando o que dá para fazer com os R$ 35 bilhões (ou R$ 50 bilhões segundo construturas) necessários para pôr o trem bala para andar. O número de beneficiários do trem – e o que eles economizariam em passagens da ponte aérea – está longe de justificar a obra. O benefício seria maior se gastassem em metrô, em contratação de médicos, em aporte para complementar o salário de professores públicos.

Mas tudo bem, o trem dificilmente vai sair do papel: ele é mais desejo – ou balão de ensaio – da presidente que projeto político de verdade. Até onde eu sei, ele ainda nem tem projeto executivo: não existe um projeto detalhado com a inclinação do terreno, a extensão das pontes ou o número (que dizer do valor) das áreas que teriam que ser desapropriadas.

É uma cascata.

Mas a política econômica tem sido como a presidente descreve. E, nesse caso, não parece ser por maldade, porque a bomba vai explodir no colo dela. A história de conter a inflação sem desacelerar o crescimento está mantendo a inflação alta por um período muito longo – e a perda de renda começa a ficar grande demais para quem vive de salário, para quem não pode aumentar o preço do que vende.

As greves já estão começando – e vão aumentar. Dilma, e seu ministro da Fiesp, adotaram uma política econômica pró-industria paulista. O ministro chegou ao ponto de dar declarações à imprensa dizendo que não perde o sono com a inflação mas que o câmbio baixo (que contém os aumentos de preço mas aumenta a concorrência com a indústria paulista), esse sim, o deixa noites em claro.

Estamos mal parados. A indústria (que gera menos de 30% do PIB) está ditando uma política de curto prazo que vai deixar os assalariados no osso. E a presidente a defende alegremente: fala até em novos projetos de política industrial. Em bom português isso quer dizer mais transferências diretas de dinheiro público para as indústrias amigas.

O que eu posso dizer? A inflação vai fechar este ano acima de 6%. Quer dizer: vão ser mais de 12% acumulados em dois anos. Se você não teve aumento, faça greve. A Fiesp faz coro contra o aumento de juros porque quer liberdade para aumentar preços  – quer ver a demanda crescer apesar do aumento de preços. E nossa presidente, pelo jeito, comprou a ideia.

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