Hipocrisia à brasileira

abril 16, 2011

O que um palhaço e um ator de filmes eróticos têm em comum? Trocadilhos e piadas à parte, os dois são exemplos de uma mistura de hipocrisia e ignorância típica do brasileiro, ou pelo menos do que se convencionou chamar de opinião pública brasileira. No início do mês, o palhaço Tiririca levou paulada por contratar dois humoristas como assessores parlamentares; poucos dias depois, o ator Valter Pagliosa perdeu o cargo no Instituto Ambiental do Paraná (IAP) por ter no currículo uma participação em filme “adulto”.

Naked Clown Calendar: esses nunca conseguiriam emprego público no Brasil.

Ninguém parou para pensar que, aparentemente, ambas as atividades (humor e filmes eróticos) são legais e, ao menos nas declarações públicas, tão dignas quanto qualquer outra. O que importa é que, para todos os efeitos, a presença de pessoas como essas nos quadros do estado ofende as regras do bom senso, para não falar dos bons costumes.

Certamente, estaria mais de acordo Tiririca contratar para assessorá-lo dois médicos, dois engenheiros de software ou mesmo dois geofísicos, estes sim representantes de profissões dignas, que não envergonhariam pais e mães de bem, nem a atividade parlamentar. Na mesma linha de raciocínio, a chefia do IAP em Cascavel ficaria melhor nas mãos de um jornalista, um cozinheiro ou quem sabe até um comerciante de madeira de lei, a fim de evitar que a questão ambiental no Paraná se transforme numa, com o perdão da palavra, putaria.

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