A volta do general

abril 10, 2011

Os primeiros 100 dias do governo Dilma foram celebrados com vários artigos de jornal comparando sua política econômica à do general Ernesto Geisel. Não é para menos: elas são parecidas mesmo. A comparação fica especialmente maldosa quando se pensa que, na época, Dilma participava de grupos que queriam derrubar o governo na marra.

Tanto esforço para, 30 anos depois, adotar de novo a política econômica do general. Mas de um jeito pior, porque, com o benefício da experiência, sabemos que a política econômica de Geisel produz – depois de alguns anos – uma ou duas décadas de estagnação econômica.

Dei uma olhada nos meus textos de faculdade sobre o governo Geisel. Achei um resumão da política econômica da época. Muita coisa parece o noticiário recente: os juros subsidiados do BNDES, o favorecimento a grupos de empresários, os protestos contra o aumento de juros, o investimento em grandes projetos estatais (que depois deram prejuízo), o aumento da dívida pública e, é claro, a alta da inflação.

Só o que é mesmo diferente é a justificativa para adotar essa política. Elio Gaspari e outras pessoas que escreveram sobre o governo Geisel tentam explicar com disputas de poder sua política econômica inconsistente: Geisel tinha que mostrar resultados econômicos de curto prazo para não ser derrubado pela linha dura do exército. Ele teria forçado a barra para manter o crescimento depois da crise do petróleo porque a ala do exército no poder antes dele, a de Médici, usaria a queda no crescimento para justificar um golpe dentro do golpe (e derrubaria, com Geisel, seu projeto de abertura política).

Dilma, ao contrário, não parece enfrentar grandes resistências políticas: tem feito o que quer. Parece estar cometendo esses desatinos econômicos por vontade  – mais do que por qualquer restrição político-partidária.

Se der, ou melhor, quando der tudo errado, ela não vai ter muitas desculpas ou explicações razoáveis para oferecer. Quando a inflação subir mais, quando vierem as greves por aumento de salário, quando for preciso tomar medidas realmente duras para frear a alta dos preços, ela vai ter que assumir a responsabilidade.

Mas o que Dilma provavelmente vai fazer vai ser demitir o ministro da Fazenda e chamar alguém menos chamuscado para fazer o ajuste (isso, no melhor cenário que consigo imaginar).

Geisel: a cara da década perdida

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