Mubarak e Deus

fevereiro 12, 2011

A melhor descrição de Hosni Mubarak que li até agora não é uma descrição: é uma narrativa. E nem é uma narrativa comum: é uma piada. A encontrei em um artigo sobre humor egípcio no Estadão de hoje. Segundo o autor do texto, as piadas com governantes são uma tradição do país. Arqueólogos de lá já acharam textos de mais de 4 mil anos com piadas sobre faraós.

A cena é a seguinte:

Hosni Mubarak, Barack Obama e Vladimir Putin estão reunidos quando de repente Deus aparece para eles: “Vim aqui para lhes dizer que o fim do mundo será daqui a dois dias. Avisem o seu povo”.

Assim, cada um dos líderes volta para sua capital e prepara um discurso pela TV para fazer o comunicado.

Em Washington, Obama diz: “Meus caros americanos. Tenho uma boa e uma má notícia. A boa é que posso confirmar que Deus existe. A má notícia é que ele me disse que o mundo vai acabar em dois dias”.

Em Moscou, Putin declara: “Povo da Rússia, lamento lhes dar duas más notícias. A primeira é que Deus existe, o que significa que tudo aquilo em que nosso país acreditou durante todo o último século era falso. Em segundo lugar, o mundo estará acabando dentro de dois dias”.

No Cairo, Mubarak diz: “Egípcios, venho lhes dar duas excelentes notícias! Primeira, Deus e eu tivemos uma importante reunião. A segunda é que ele me disse que serei o seu presidente até o fim dos tempos”.

Os ditadores não entendem que o outdoor com a própria foto é uma espécie de prova de que são ditadores?

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As medidas de segurança dos aeroportos americanos são claramente invasivas e exageradas. Mas o fim do desconforto já está a vista, pelo menos para os que forem listados como “trusted”, ou, “de baixo risco” pela TSA (Transport Security Administration) dos Estados Unidos. Para esses, não seria preciso nem tirar os sapatos para passar pelo detector de metais. Já para quem ganhar o rótulo de “arriscado”: scaners e “entrevistas com oficiais treinados em análise comportamental”.

A lista de propostas delirantes – da TSA e de associações de transporte – está em uma matéria de ontem, do New York Times. A autora da reportagem, que claramente se considera alguém de “baixo risco”, esqueceu de dizer que esse tipo de proposta é discriminatório e que o “checkpoint do futuro” citado na matéria, ficaria muito bem numa versão moderna de texto kafkiano.

Mas ela não deveria se considerar a salvo. Se a proposta – que está sendo feita a sério – for para frente, quase nenhum viajante que passe por aeroportos americanos poderá ficar tranquilo. Sabe-se lá que tipo de informação vai alimentar a classificação de risco dos passageiros. E até você “provar que não é risky“, já te levaram para a salinha dos “officers trained in behavioral analysis“.

Revista em aeroporto americano - invasão de privacidade e maus tratos para todos, quase democraticamente.

A inflação acumulada entre fevereiro de 2010 e janeiro de 2011 foi de 6,0%. Se o seu salário não teve nenhum aumento nesse período, na prática, ele caiu 5,7%.

O ministro da Fazenda – que teve um aumento de salário de 149% anunciado em dezembro – continua dizendo que o aumento da inflação é  temporário, uma “coisa normal”. Boa parte desse aumento de preços tem a ver com as políticas implementadas por ele nos últimos dois anos (crédito barato para empresas amigas, aumento acelerado do gasto público etc.). Delírios à parte, Guido Mantega chega ao ponto de reclamar da valorização do real (queda do dólar), uma das poucas coisas que, hoje, evita que a inflação dispare.

A conhecida dificuldade do ministro em evitar aumentos do gasto público aponta para mais inflação nos próximos meses. Também teremos mais conversa para boi dormir sobre “aumentos normais” e mais queda no salário real de quem não tem aumento acima da inflação aprovado pelo Congresso aos 45 do segundo tempo.