O subsídio neoliberal de Evo Morales

dezembro 31, 2010

Ninguém sabe ao certo o que é neoliberalismo. Mas o presidente da Bolivia, Evo Morales, deu ontem uma pista (matéria completa no meio da página do link). Segundo Evo, seu próprio governo mantinha um “subsídio neoliberal” aos combustíveis. O fim do subsídio provocou um aumento de 73% no preço da gasolina. O diesel subiu 83% e o querosene de aviação 99%.

Os preços estavam congelados há seis anos e o subsídio que os mantinha assim consumia cerca de 2% do PIB da Bolívia todos os anos.

Diante dos protestos, greves e afins provocados pelo aumento (que afetará os preços  de produtos que dependem de transporte, como os alimentos) Evo teve de explicar o por quê da decisão. Ela foi o “fim de um subsídio neoliberal que causava corrupção e perdas para o país.”

Tenho muita curiosidade em estudar essas políticas de congelamento e subsídio neoliberais.

Com apoio de economistas estrangeiros, Evo talvez passe a falar mais da teoria por trás dessas políticas. Ontem, ele anunciou que vai importar economistas paraguaios para ajudá-lo em sua política de preços para os combustíveis.

Na Venezuela os combustíveis também são fortemente subsidiados. Se Chaves algum dia cortar o subsídio, também vai chama-lo de neoliberal?

Evo: Liberando os preços para combater o neoliberalismo.

Por fim, o Brasil também tem histórias clássicas de aumento de combustível. Uma das mais bem contadas aconteceu no começo do governo Jânio Quadros. Jucelino, feliz e sorridente, deixou o câmbio completamente desquilibrado no fim de seu governo. Seu sucessor, Jânio, teve que arrumar a casa. Mas mudar o câmbio significava aumentar o preço dos combustíveis – na época em grande parte importados.

Sem problema. Jânio foi para os microfones e defendeu sua política dizendo que o que queria era acabar com as regalias da Esso e da Shell. O povão engoliu.

A versão mais bem contada da história está nas memórias do liberalíssimo Roberto Campos, assessor de Jânio, que sabia que o aumento não tinha nada a ver com as empresas de petróleo. Era só um ajuste no câmbio.

Campos relata suas conversas com os taxistas que o levavam de um lado para o outro – e que sofreram com o aumento de preços. Eles não deixaram de apoiar Jânio depois do aumento. “Se for para acabar com a boa vida da Esso e da Shell”, lhe disse um deles, “vale a pena”.

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Uma resposta to “O subsídio neoliberal de Evo Morales”

  1. rmoraes said

    No fim de semana, Morales voltou atrás e suspendeu os aumentos – mantendo os “subsídios neoliberais”.

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