Quando a multidão sabe mais

novembro 13, 2010

Pode acontecer com qualquer um, mas acontece mais com escritores celebrados e economistas que ganharam o prêmio Nobel: depois de acertar várias vezes, o sujeito começa a ficar confiante e a questionar pouco as próprias idéias. O resultado são textos como este, de Paul Krugman, em que ele – no fundo – quer ensinar às multidões como se comportar.

Segundo Kugman, “o fato é, simplesmente, que há um excesso na oferta mundial de poupança, coisa que está prejudicando muito os trabalhadores. A conduta responsável seria fazer algo a respeito desta situação”. Para ele, o problema da crise é que pessoas e empresas estão poupando demais. O governo então deveria estimular as famílias a consumir em vez de poupar. Isso estimularia a produção e reanimaria a economia.

Mas o problema é exatamente o contrário (como é bom discordar de um ganhador no Nobel!) o problema – especialmente nos EUA – é que, há muito tempo, as pessoas estão poupando de menos. A poupança das famílias chegou a ser negativa em alguns anos. Confiando em preços inflados para imóveis e ações, os americanos passaram os últimos anos consumindo mais do que sua renda permite. Quando a bolha estourou, eles viram que eram mais pobres do que pensavam. Aos poucos, eles estão voltando a poupar, para garantir suas aposentadorias, o pagamento da faculdade dos filhos ou o que mais pretendam fazer no futuro.

Dizer que eles estão errados é, pelo menos, arrogante. Dizer que devem ser estimulados a consumir é, no máximo, uma recomendação de curto prazo – para suavizar o efeito da mudança de ambiente de consumo desenfreado para consumo normal. O nível de consumo que os EUA tiveram no governo Bush não era sustentável. Qualquer família com financiamento imobiliário e dívida no cartão de crédito pode te dizer isso.

Para a economia se ajustar, eles vão ter que passar por uma espécie de purgatório econômico, um período em que as dívidas das famílias vão sendo pagas, os ex-funcionários da construção civil e do mercado financeiro vão aprendendo outros trabalhos e o governo vai investindo em obras que aumentem a eficiência da economia.

Investimento também é demanda, ajuda a aquecer a economia. A diferença é que ele gera renda no futuro. O que as famílias dos EUA querem é trocar renda hoje por renda no futuro – esse é o objetivo de poupar. Se houver investimento, elas conseguirão fazer isso. Se o governo ficar só pensando em estimular o consumo no curtíssimo prazo, a economia continuará patinado, eles continuarão tentando convencer a multidão de que ela está errada quando, pelo menos nesse caso, ela está com toda a razão.

A consultoria Patinhas recomenda: "Poupem mais!"

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