Land of the Free

junho 18, 2010

Não sou muito chegado a casos individuais para ilustrar teses gerais, mas uma leitura casual, hoje, reforçou minha desconfiança periódica de que o ser humano é um projeto de futuro pouco promissor. O texto é do Slate, e a tradução do primeiro parágrafo a seguir, feita a toque de caixa, é de minha própria larva.

Esta semana, a Suprema Corte rejeitou, sem maiores explicações, um recurso ajuizado por Maher Arar, um homem de dupla-cidadania canadense e síria detido durante uma conexão no aeroporto JFK em 2002. Depois de enviado à Síria, Arar passou dez meses sob tortura. A violência contra ele teria incluído espancamentos com cabos elétricos e enclausuramento numa cela de tamanho equivalente ao de uma cova. Quando perceberam que haviam capturado o sujeito errado – o sujeito completamente errado -, Arar foi solto, sem sofrer acusações formais. Em seguida, ele foi isentado de qualquer ligação com terrorismo pelo governo canadense, que instituiu uma comissão para investigar o incidente. A comissão publicou um relatório de mais de mil páginas reconhecendo a responsabilidade de seus órgãos de inteligência no episódio. O governo pediu desculpas e determinou o pagamento de US$ 9,8 milhões a Arar. Enquanto isso, o governo americano – como diz o advogado e blogueiro Glen Greenwald – nunca se desculpou, nunca reconheceu qualquer ilegalidade, nem responsabilizou qualquer pessoa. E, sob a liderança de Obama, redobrou seus esforços para impedir Arar de ter um único dia de audiência numa corte judicial.

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