Mais iguais que os outros

abril 21, 2010

Uma desembargadora do Tribunal de Justiça de Santa Catarina foi flagrada, na semana passada, proferindo uma variante de uma das mais ultrajantes frases que se firmaram na tradição brasileira. Numa discussão com PMs que tentavam recolher o carro de seu filho numa blitz, a magistrada questionou, em alto e bom som: “O senhor sabe quem eu sou?”

O que se seguiu, especialmente após a divulgação do episódio (e de um vídeo) na imprensa, foi a habitual guerra de versões. Os PMs afirmaram que a desembargadora havia tentado dar uma “carteirada”; a desembargadora, por defesa indireta da Associação dos Magistrados Catarinenses (AMC), garantiu ter sido tratada de maneira ríspida pelos PMs.

Tudo isso segue um roteiro para lá de manjado.

Interessante mesmo é a “nota de esclarecimento” emitida pela AMC. Além de buscar explicar os fatos, com a versão da desembargadora, o texto inclui a seguinte preciosidade:

O que houve, repise-se, foi a exigência, por parte da desembargadora Rejane Andersen, de respeito a sua condição de magistrada e cidadã.

A mensagem é sutil, porém de uma clareza cristalina. Para a AMC, a desembargadora, numa situação trivial e sem qualquer relação com sua atuação no tribunal, merecia respeito como magistrada.

Afinal, como todos sabem, existem os cidadãos que são apenas cidadãos e os cidadãos que receberam esse toque divino da magistratura.

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