Critério de segurança

abril 7, 2010

No início de 2008, teve alguma repercussão a divulgação, pela Folha de S. Paulo, de gastos de R$ 55 mil, num período de dez meses, feitos com cartão corporativo por um dos seguranças de Lurian Lula da Silva, filha do presidente da República. Destino do dinheiro: lojas de autopeças e de material de construção, supermercados, livrarias, posto de combustível.

A “revelação”, à época, em meio ao pseudoescândalo dos cartões corporativos, mostrou-se de baixíssimo nível, pois insinuava, nas entrelinhas da preocupação com o correto uso dos recursos públicos, uma desnecessidade da trupe de dez agentes encarregada da segurança de Lurian e dos netos de Lula. Esvaziado o balão de ensaio, porém, prevaleceu a obviedade de que, eventuais gastos abusivos à parte, é justificável proteger a família do presidente – no Brasil, Nauru ou Seychelles.

Tudo isso para dizer que, na noite da sexta-feira passada, o apartamento de Lurian em Florianópolis foi invadido por supostos ladrões, e a turma do Gabinete de Segurança Institucional (GSI) não viu nem ouviu nada. Detalhe: a filha do presidente estava em casa.

Desta vez, contudo, a grande imprensa não achou muita graça. A Folha e o Globo, por exemplo, relegaram o tema a cantos modestos de suas editorias nacionais. Aparentemente, um serviço de segurança presidencial que não consegue evitar uma simples invasão de residência não atende os critérios de relevância jornalística que orientam a cobertura dos jornalões.

Agora, se o ladrão tiver usado cartão corporativo…

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