Presidenciáveis?

fevereiro 21, 2010

Hamlet: escolhas difíceis

Não consigo votar em candidatos que têm grupos religiosos – sempre ultraconservadores – defendendo sua eleição. A experiência do casal Garotinho no Rio foi traumática. O ideal é manter longe do governo qualquer um que possa diminuir a distância entre igreja e Estado. Marina Silva – da Assembléia de Deus – está fora da minha lista de candidatos.

Ciro Gomes, outro pré-candidato, ficou conhecido como o homem que é “contra tudo que está aí”. Foi ministro da Fazenda de Itamar e da Integração Regional, no primeiro governo Lula – e continuou contra tudo. Se ele é a favor de alguma coisa (como um programa de governo) ainda não conseguiu dizer.

Serra é contra a política econômica. Já era contra quando ela era a política do seu partido. Agora que é defendida por Lula, ele deve ser mais contra ainda. Sergio Guerra, presidente de seu partido, já deu entrevistas dizendo que, eleito, Serra mudaria câmbio, juros etc. Fora de cogitação.

Dilma é tão sem carisma quanto Serra e, aparentemente, tão autoritária quanto ele. A tendência conciliadora de seu padrinho político parece ser uma das virtudes que ela realmente não tem – e que fazem falta.

Ao lado da dificuldade que tenho em votar em candidatos com ranço ideológico de esquerda, esse autoritarismo irritado – que aparece até no jeito de tratar repórteres – faz dela uma pessoa a quem não gostaria de dar mais poder.

Sem conseguir chegar a conclusão nenhuma, a pergunta que me faço é: como chegamos até aqui? Por que os únicos nomes disputando a eleição para presidente são de pessoas que eu (e a torcida do Flamengo) não gostaríamos de ver na presidência?

Se os partidos políticos fizessem eleições primárias, como nos EUA, talvez surgisse alguma versão tupiniquim do Obama. Mas o critério de escolha dos partidos é outro: sai candidato quem conseguir se impor com mais força – independentemente dos meios que use para isso. Não fosse assim, dificilmente Serra seria o escolhido do PSDB.

O processo de escolha é, então, uma espécie de seleção adversa: só os mais sedentos de poder sobrevivem.

Não sei não, mas acho que essas eleições vão ser as mais difíceis desde a volta da democracia – pelo menos para os eleitores, que têm que escolher entre quatro nomes péssimos.

Mas ainda há esperança. Há tempo para mais alguém se lançar candidato. Esse candidato dificilmente estará num partido grande, vai ter poucas chances de ganhar mas, não sendo um canalha completo, já tem, pelo menos, o meu voto.

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