Sarkozy fará proposta indecente à OIT

janeiro 8, 2010

Político francês - por Honoré Daumier - sec. XIX, Museu D'Orsay - Paris, 2008.

Todo economista sabe que o aumento do protecionismo foi uma das coisas que agravou a Grande Depressão, nos anos 30. O protecionismo não é uma boa idéia, nem na versão assumida nem em versões disfarçadas – como a apresentada agora pelo presidente francês, Nicolas Sarkozy.

Segundo a edição de hoje do Estado de S. Paulo, Sarko “proporá a criação, na Organização Internacional do Trabalho (OIT), de selos de garantia social, como o ‘direito à saúde’, o ‘direito ao meio ambiente sustentável’, que seriam considerados numa balança que incluiria os ‘direitos de comércio’. O objetivo da proposta é combater o que os europeus chamam de ‘dumping social’, ou seja, a produção industrial com exploração de mão de obra excessivamente barata ou infantil.”

Na prática, ele quer acabar com empregos em países pobres para diminuir a concorrência com as empresas francesas. A “mão de obra excessivamente barata” geralmente é aquela que estava na extrema pobreza e conseguiu um emprego. Quem escolhe voluntariamente um emprego que paga mal, faz isso porque sua alternativa é ainda pior, é voltar à extrema pobreza. E é para lá que Sarkozy quer devolver essas pessoas.

Além de prejudicar os produtores no resto do mundo, as barreiras comerciais à la Sarko ainda aumentariam os preços pagos pelos consumidores franceses (justamente por diminuírem a concorrência).

As barreiras que Sarkozy quer criar parecem coisa de Cristina Kirshner. São uma barberagem econômica comparável à de propor que se pare a desvalorização do dólar no grito, como também defende o presidente francês.  “Se fabricamos em euros e vendemos em dólar, com o dólar que cai e o euro que sobe, como vamos compensar o déficit de competitividade?”, disse  ele, quinta-feira, em um seminário em Paris. Talvez Sarkozy devesse pensar em reformas econômicas, em aumentar de fato a produtividade na França…

Como os EUA têm um déficit externo gigantesco – consomem muito mais do que produzem – é natural que sua moeda perca valor. Com as taxas de juros baixas usadas para combater a crise econômica, isso é ainda mais natural. E não há discurso populista francês que mude isso.

Sarko está escrevendo seu nome em um seleto panteón de políticos caricatos da república. No século XIX, o chargista francês  Honoré Daumier já se divertia fazendo os bustos e caricaturas desses senhores.

O duro é pensar no estrago que um populista desses pode fazer na economia e, principalmente, no comércio internacional.

Mais políticos do século XIX - Daumier, Museu D'Orsay, 2008.

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