Grande como o PIB e novo como a jabuticaba

dezembro 24, 2009

Chamunda, o horrendo destruidor do mal (Madhya Pradesh, século X ou XI), Metropolitan Museum, Nova York.

Chamunda, o horrendo destruidor do mal (acima), foi testemunha das aberrações econômicas da Índia – seu país de origem – por vários séculos. Aqui no Brasil, nossa lista de aberrações o deixaria ainda mais esquelético e horrorizado. Ontem, Lula, Mantega e uma tropa de sindicalistas baixaram, por medida provisória, as regras de aumento do salário mínimo e das aposentadorias até 2011. A novidade é que o aumento do salário mínimo vai ser igual à variação da inflação (INPC) mais a variação do PIB – se ela for positiva. Já os aposentados ficarão com metade da variação (positiva) do PIB.

Segundo o Estadão, o PIB usado para corrigir os salários de 2011 será o de 2009. Mas o curioso é que o IBGE só divulgará o PIB definitivo de 2009 em novembro de 2011. Como os salários mínimos são reajustados no primeiro semestre, imagino que usarão o PIB de 2009 calculado por soma de trimestres – sempre sujeito a revisões.

No último dia 10, o IBGE revisou em 0,9 ponto percentual o PIB do segundo trimestre de 2009 – revisou para baixo. Imagine como vai ser isso em épocas de salário indexado ao PIB…

PIB não é indexador, nem de salário nem de nada, em lugar nenhum do mundo. E este é mas um caso de falsa jabuticaba, uma daquelas políticas que, se só tem no Brasil, é porque deve ter algum problema.

A primeira maldade dos autores da MP é que o PIB de 2009 deve crescer pouco – se é que não vai ser negativo. Mas a idéia usar o PIB como indexador pode render frutos assustadores, coisa de deixar Chamunda de cabelo em pé.

Se a moda pegar e se o Brasil tiver – no futuro – o nível de crescimento que bancos e consultorias têm projetado, muitas prefeituras vão ficar com a corda no pescoço, para não falar na Previdência.

Ah e,  a cada revisão para baixo no PIB, vai ser uma gritaria dos diabos.

Anúncios

Uma resposta to “Grande como o PIB e novo como a jabuticaba”

  1. Thuin said

    O pior da idéia imbecil, pra mim, é a pressão política que gera no IBGE. Atualmente, o IBGE é um órgão razoavelmente neutro e isento; tenho medo de que vire algo semelhante aos órgãos estatísticos da República Argentina ou do Estado de São Paulo, que inventam estatísticas na cara dura.

    Quanto ao impacto no caixa de prefeituras, não tenho tanta certeza – a maioria já paga mais que o mínimo em todos os salários.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: