Dissolução

novembro 22, 2009

Uma das coisas estranhas em viajar é ver o Brasil de fora. O apagão visto de fora foi bem assustador. Fiquei sabendo quase na hora em que começou – por uma amiga que tinha falado com a família. Acessei a internet. O site do Globo estava fora do ar. As pessoas com quem eu queria falar no Brasil tinham telefones sem fio ligados na tomada ou celulares com a bateria perto do fim etc etc. Na hora, pensei em quantos estavam presos em elevadores ou no metrô lotado de fim de tarde…

Agora, de volta ao Rio de Janeiro, ouvindo histórias de amigos assaltados na Lapa (outro dia, não no do apagão), comparando o transporte público daqui com o de lá, a manutenção das ruas daqui com a de lá etc etc, tenho um pouco a sensação de que a cidade está se desmanchando, se dissolvendo.

Eu sei, pode ser só impressão de recém chegado: mais alguns dias e me acostumo de novo ao caos carioca. Mas, por hora,  a foto aí embaixo continua me dando um certo arrepio.

Rio de Janeiro visto de fora. A foto de Copacabana foi capa do site do New York Times.

Destroços da crise?

novembro 20, 2009

A fila do ponto de taxi, a fila do desembarque no aeroporto e as filas dos restaurantes indicam que a crise nos EUA não é tão assustadora quanto o noticiário dá  a entender.

Sim, o taxista diz que seu movimento caiu mais de 30%, o desemprego chegou a dois dígitos e os consumidores não têm o mesmo ímpeto de dois anos atrás. Mas a economia em crise lá é bem mais próspera que a economia em crescimento aqui.

Eles não estão crescendo, mas a economia empacou em um nível já bem alto.

Eu sei, há sempre o risco de que a coisa desande de uma hora para a outra e eles encarem uma recessão de verdade – com a economia encolhendo para valer – como nos tempos da grande depressão.

Mas, por hora, a choradeira de lá não deve impressionar quem está acostumado com o mercado de trabalho daqui.

 

Imigrante egípcia leva bode para servir em restaurante temático - Metropolitan Museum, Nova Iorque - novembro de 2009