Metade da história

maio 5, 2009

 

Em seu texto mais recente para o Times, Kruman resolveu alertar para os perigos da queda de salários nos EUA. Listou a redução de salários no próprioTimes e na Chrysler e comentou o que pode acontecer se houver uma queda generalizada de salários nos EUA. 
O primeiro problema é que não vai haver uma queda generalizada de salários nos EUA. Reduzir salários nominais é bem complicado, exige negociação com empregados em uma quantidade gigantesca de empresas. Para ser generalizada, a redução tem que acontecer em toda parte. Se não for assim, o que haverá será uma  mudança no valor relativo dos salários. Setores como o de medicamentos – que comemoram a gripe suina – dificilmente vão engolir uma redução de salários. 
A redução então permite que os salários relativos se ajustem. Alguns setores, com a crise, vão ficar relativamente melhor do que outros. Os salários devem refletir isso para atrair pessoas dos setores que estão pior para os que estão melhor. 
Isso pode acontecer com a queda de salários em alguns setores da economia ou com inflação e aumentos de salário só nos outros setores. A alternativa sem inflação parece menos dolorosa. 
O segundo problema no texto de Krugman é que ele prevê um cenário de estagnação e deflação causado por uma queda de salários. Ele lembra o caso do Japão, onde os salários cairam durante a crise (sem deixar claro que a queda foi efeito e não causa da crise). Bom, faltou lembrar a Argentina do começo da década. Quando os argentinos travaram o valor do peso (1 peso = 1 dolar) os economistas concordaram que o único jeito de eles voltarem a ter competitividade internacional e corrigirem seu déficit no comércio externo era reduzir os salários. 
Eles não fizeram isso. Preferiram desvalorizar a moeda e dar um calote na dívida (que estava quase toda em dólares). 
Para os americanos também, reduzir os salários vai ajudar a reequilibrar as contas externas, vai fazer os produtos nacionais ficarem mais baratos no exterior e vai diminuir as importações – já que  renda do trabalho vai cair. A alternativa, como no caso argentino, é desvalorizar mais o dólar. 
Por fim, Krugman parece muito preocupado com uma possível deflação nos EUA. Mas com taxa de juros a zero e o governo gastando trilhões em pacotes de socorro e estímulo econômico, não dá para dizer com essa convição toda que os preços dos bens de consumo vão despencar. Há até o risco de que haja inflação alta daqui a uns dois ou três anos. 
Mas Krugman, ao lado de Kenneth Rogoff, Gregory Mankiw e outros acadêmicos ilustres, parece não dar muita bola para o nosso velho dragão.  

Quando uma história pode ser vista de vários pontos de vista, mostrar um só é, no mínimo, tendencioso. Mas foi isso que fez Paul Krugman, Nobel de economia deste ano, em sua coluna no New York Times

Kruman resolveu alertar para os perigos da queda de salários nos EUA. Listou a redução de salários no próprio Times e na Chrysler e comentou o que pode acontecer se houver uma queda generalizada de salários nos EUA. 

 O primeiro problema é que não vai haver uma queda generalizada de salários nos EUA. Reduzir salários nominais é bem complicado, exige negociação com empregados em uma quantidade gigantesca de empresas. O que provavelmente acontecerá será uma  mudança no valor relativo dos salários. Setores como o de medicamentos – que comemoram a gripe suina – dificilmente vão engolir uma redução de salários. 

A redução então permite que os salários relativos se ajustem. Alguns setores, com a crise, vão ficar relativamente melhor do que outros. Os salários devem refletir isso para atrair pessoas dos setores que estão pior para os que estão melhor. 

Isso pode acontecer com a queda de salários em alguns setores da economia ou com inflação e aumentos de salário só nos outros setores. A alternativa sem inflação parece menos dolorosa. 

O segundo problema no texto de Krugman é que ele prevê um cenário de estagnação e deflação reforçado por uma queda de salários. Ele lembra o caso do Japão, onde os salários cairam durante a crise. Bom, faltou lembrar a Argentina do começo da década. Quando os argentinos travaram o valor do peso (1 peso = 1 dolar) os economistas concordaram que o único jeito de eles voltarem a ter competitividade internacional e corrigirem seu déficit no comércio externo era reduzir os salários. 

Eles não fizeram isso. Preferiram desvalorizar a moeda e dar um calote na dívida (que estava quase toda em dólares). 

Para os americanos também, reduzir os salários vai ajudar a reequilibrar as contas externas, vai fazer os produtos nacionais ficarem mais baratos no exterior e vai diminuir as importações – já que  renda do trabalho vai cair. A alternativa, como no caso argentino, é desvalorizar mais o dólar. 

Por fim, Krugman parece muito preocupado com uma possível deflação nos EUA. Mas com taxa de juros a zero e o governo gastando trilhões em pacotes de socorro e estímulo econômico, não dá para dizer com essa convição toda que os preços dos bens de consumo vão despencar. Há até o risco de que haja inflação alta daqui a dois ou três anos. 

Mas Krugman, ao lado de Kenneth Rogoff, Gregory Mankiw e outros acadêmicos ilustres, parece não dar muita bola para o nosso velho dragão.

 

Camile Claudel após a redução de salário - Museu Rodin

Camile Claudel após a redução de salário - Museu Rodin

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