O canto do cisne

abril 24, 2009

A crise americana é uma mistura de bolha, desequilíbrio macroeconômico e lambança financeira.

A bolha – que todo mundo sabia que estava para estourar – era a dos preços dos imóveis. O desequilíbrio, também conhecido, já tinha apelido há anos. Os jornais o chamavam de  “déficits gêmeos”. Era a junção do déficit nas contas do governo americano com o déficit nas contas externas dos EUA.

Os déficits gêmeos indicavam que as coisas não podiam ficar como estavam por muito tempo. E, quanto mais demorasse para começar o ajuste, mais forte ele teria que ser.

A surpresa da crise foi a lambança financeira, a quebradeira dos bancos. Até o ex-presidente do FED Alan Greenspan confessou que estava surpreso com a situação dos bancos (que ele deveria ter fiscalizado).

O que aconteceu com os bancos americanos só pode ser explicado por uma mistura de conspiração, risco moral e arrogância.

A conspiração apareceu nos últimos meses antes da crise, quando os bancos já sabiam que estavam quebrados mas ficavam quietos, se fingindo de vivos. O então presidente do Citibank se descuidou em uma entrevista e disse “we are still dancing”, quando lhe perguntaram como estava a saúde financeira do banco.

O risco moral (moral hazard) explica boa parte do caos bancário. Presidentes e diretores dos grandes bancos americanos ficaram milionários enquanto seus bancos navegavam para o abismo. Eles tomaram decisões que aumentavam o lucro no curto prazo (garantindo seus bônus de fim de ano) e aumentavam os riscos para o longo prazo (quando talvez já nem trabalhassem mais no banco).

A terceira parte da lambança bancária também é  interessante. Além de temerários em algumas decisões, analistas de risco de grandes bancos americanos foram incrivelmente arrogantes. Eles confiaram absurdamente na própria capacidade de estimar riscos e se expuseram a esses riscos sem provisões de recursos para o caso de alguma coisa sair errada. Tiveram tanta confiança em seus modelinhos que não se preocuparam em fazer qualquer tipo de seguro ou aplicação na outra ponta para o caso de o cenário mudar.

Uma boa análise do lado financeiro da crise está neste link para um debate com Daniel Kahneman (psicólogo que ganhou o Nobel de economia) e Nassim Taleb, autor do livro The black swan – the impact of the highly improbable.

Os primeiros oito minutos do vídeo são só apresentação dos debatedores e do ciclo de palestras. A parte boa começa em 8min00.

Pato/Cisne negro da crise

Pato/Cisne negro da crise

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