Serviço público (ou Estudando o estudo)

março 31, 2009

Por razões mais ou menos óbvias, não houve muito destaque nos meios de comunicação, mas o fato é que o Instituto de Pesquisa Econômica e Aplicada (Ipea) divulgou esta semana um interessante estudo (PDF) sobre o serviço público nacional. A conclusão, não exatamente inédita, é enfática: “não está havendo, nos últimos anos, um ‘inchaço’ do Estado” no Brasil. A base para tal afirmação é um levantamento indicando que, por aqui, o emprego público responde por apenas 10,7% do total de ocupados, o que representaria pouco diante dos índices registrados na Dinamarca (39,2%), na França (24,9%) e até nos Estados Unidos (14,8%), “caracterizados por seu caráter privatista”. Entre os primos pobres da América Latina, o Brasil também sai bem na foto, atrás de Panamá, Costa Rica, Uruguai, Argentina, Paraguai e República Dominicana.

Tudo, ou só, isso leva o Ipea a vaticinar que “há espaço para o crescimento do estoque e da participação relativa do emprego público no Brasil”. Na verdade, segundo o instituto, existe “a necessidade de ampliação do emprego público” para o “fortalecimento da democracia”. Ou seja, o Brasil tem poucos servidores e precisa de mais, muito mais.

Precisa? Talvez sim, talvez não.

De uma ou de outra forma, seria uma boa idéia tentar desenhar outros quadros, mais complexos é verdade, porém certamente dentro das possibilidades investigativas do Ipea:

Qual é a relação entre as remunerações médias no serviço público e na iniciativa privada nos diferentes países?

Como se compara a qualidade do serviço público nos diferentes países?

Dos “poucos” servidores públicos no Brasil quantos de fato trabalham?

Massacrar o serviço público, indiscriminadamente, é um absurdo. Exatamente como absolvê-lo com base em dados superficiais.

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5 Respostas to “Serviço público (ou Estudando o estudo)”

  1. Trovão said

    O uso do Ipea como órgão de propaganda – em vez de instituto de pesquisa – já é um argumento razoável contra as contratações em alguns órgãos.

    Que queiram contratar mais professor de matemática para o nível médio eu entendo. Mais doutores para produzir propaganda no Ipea, acho má alocação de verba.

  2. Luiz Moura said

    Quanto a abertura de CPI, seria mais rápida do que a minha resposta ao seu comentário no Língua.

    Sobre este post seu, estou desde o começo da semana querendo escrever algo novo. Corcondo parcialmente com as conclusões, mas do ponto de vista qualitativo, nosso serviço público é uma merda. Explicó já. A maioria absoluta dos servidores, desculpe-me o pleonasmo, mas são remunerados de forma vergonhosa e, os ditos marajás, são uma minoria, que por sua vez, são privilegiados pelo esquemão de assalto partidário ao estado, seja por partidos de direita, centro ou de esquerda. Infelizmente todos fazem a mesma coisa, com raríssimas exceções, é claro.

    Um abraço

  3. Madame Mim said

    Depois de muito tempo sem qrer serviço público, mudei de idéia.
    Espero que abram concursos bons em breve.

  4. Pax said

    Interessante estudo e post.

    Não sou contra um Estado forte. Mas que esse Estado devolva ao povo o que precisa. Coloco sempre nas prioridades: Educação, Saúde e Segurança Pública. Mas é um bom assunto pra ser discutido, com a participação da Sociedade Civil.

    O meu sonho: Uma Educação Revolucionária, com Finlândia e Coréia do Sul como dois exemplos que sei um pouco mas gostaria de saber melhor.

    Um uma ou duas gerações teríamos o grande Brasil que todos sonham, acredito eu.

  5. […] que comandou o país por oito anos, promovendo uma ampla e irrestrita desvalorização do serviço público, não é mesmo? O curioso é que, até hoje, o sujeito que escreveu o diagnóstico acima, além de […]

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