México e Brasil exportam cultura para a toda a América Latina – e se orgulham disso. Em uma mesa cheia de mexicanos – e falando um portunhol sofrível –  demorei a entender a pergunta de um de meus interlocutores:

– Vocês ainda vêem el Chavo Del Ocho?

– Quem?

El Chavo Del Ocho!

Depois de um pouco de mímica e de referências ao Chapolim Colorado, entendi que o Chavo era o nosso Chaves, e respondi que sim, que o programa está no ar até hoje, que passa todas as tardes.

– E como vocês o chamam?

– Chaves.

Essa provavelmente foi a parte que mais gostaram. Pois, fora do Brasil, Chaves é aquele da Venezuela, não o Chavo da TV.

A contrapartida mexicana na história – que também ficaram felizes em me contar – é que boa parte deles cresceu vendo o emocionante Xou da Xuxa, que exportamos para o México. 

Eu, um pouco sem graça, admiti que o programa tinha sido muito popular aqui.

– No México, todas as meninas queriam ter roupas como as da Xuxa – contou uma de minhas interlocutoras (que, certamente, tinha sido uma das fãs mexicanas).

Prometi a mim mesmo nunca mais implicar com o colorido espalhafatoso típico de algumas partes do México. Afinal, nós vendíamos Xuxa para eles.

Parece pouco, mas era um programa estranho em que – todos os dias – uma mulher saía de um disco voador para ficar pulando ao lado de um mosquito gigante (mosquito da dengue gigante) e de uma suposta “praga” – para ficar gritando “Bom Dia!!!” e frases quase sem  sentido.  Talvez como obra surrealista faça algum sentido.

A certeza que eu tiro disso tudo, desse sucesso internacional de Chaves & Xuxa , é que não, eu nunca poderia ser diretor de programação de TV.

Escultura asteca sorridente - Museu de Antropologia - México

Escultura asteca sorridente - Museu de Antropologia - México