O outro lado da ideia

Incapaz de parir algo mais original, ou menos cretino, do que a média do publicado pela imprensa nativa, resolvi dar uma olhada nos jornais lusos. Lá, não como cá, nem tudo são flores. O texto, com data de 1º de janeiro, é do Diário de Notícias. Os destaques são do blogue.

Acordo ortográfico entra em vigor no Brasil
ISABEL PEIXOTO *

O Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa entra esta quinta-feira em vigor no Brasil, com um prazo de adequação até 2012, mas pode falhar na prática. O alerta é dado pelo presidente do Instituto Internacional da Língua Portuguesa.

Assinado em 1990, o acordo pode falhar caso não seja elaborado um vocabulário ortográfico comum entre Portugal e o Brasil, que é o primeiro signatário a adoptar oficialmente as novas regras. Em Portugal, ainda não há uma data para a aplicação, sabendo-se apenas que o período de transição será de seis anos. Godofredo de Oliveira Neto, que preside ao Instituto Internacional da Língua Portuguesa (IILP), afirmou que, se a convenção internacional não for adoptada igualmente por todos os países, “o acordo fica desacordado”.

“A construção de um vocabulário ortográfico comum é um dos artigos mais importantes exposto no acordo. Se não tiver regras, não tem acordo“, disse o escritor, ao frisar que os linguistas portugueses e brasileiros têm de estar em sintonia “sobre a interpretação deste acordo ortográfico”. No seu entender, “o que falta é uma união dos especialistas e não dos políticos, e isso pode prejudicar a implantação do acordo na sua plenitude”.

Para o presidente do IILP, organismo ligado à Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), é indispensável o entendimento entre a Academia Brasileira de Letras (ABL) e a Academia das Ciências de Lisboa, instituições responsáveis pela elaboração do vocabulário ortográfico para servir como referência para os dicionários. “O acordo deixou algumas coisas em branco como, por exemplo, o uso de hífen, que dá margem a interpretações diversas”, exemplificou, referindo que a ABL defende que o hífen seja abolido e que a Academia das Ciências de Lisboa discorda.

Oliveira Neto adianta que a união ortográfica faz parte do projecto de consolidação do Português como língua internacional e a falta de consenso entre os linguistas dificulta esta integração. “A união da ortografia contribuirá para facilitar a circulação de obras nos países lusófonos, além do uso comum da língua na Internet e no audiovisual, que também saem fortalecidos”, sublinhou ainda.

No âmbito da CPLP, será organizada no primeiro semestre deste ano uma reunião com especialistas da ABL e da Academia das Ciências de Lisboa, juntamente com os representantes dos ministérios da Educação dos países da CPLP.

O acordo não podia entrar em vigor sem ser ratificado por, pelo menos, três parlamentos de países de língua portuguesa. Portugal, Brasil, São Tomé e Príncipe e Cabo Verde já o fizeram, faltando Angola, Moçambique, Guiné-Bissau e Timor-Leste. Numa recente reunião da CPLP, o ministro português da Cultura, Pinto Ribeiro, disse estar “firmemente convencido” de que a entrada em vigor do acordo vai ocorrer ainda durante a presidência portuguesa da organização lusófona, que termina em meados de 2010.

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Sobre rchia

Meus genes vieram da China; minha certidão de nascimento, de São Paulo; meu corpo e minha alma, do Rio. Sou servidor público, mas confesso que às vezes acho que não sirvo para nada. Nas horas vagas, traduzo livros lidos por muitos e lembrados por poucos. Sozinho em Brasília, passo as noites ouvindo música, bebendo com os amigos ou pensando em gente que não pensa em mim. Eu sou assim, quem quiser gostar de mim, eu sou assim. Salve, Paulinho. Meu mundo é hoje.

3 respostas em “O outro lado da ideia

  1. Eu até apoiaria um boicote, mas não há chance de a reforma falhar. Jornais e revistas já adotaram. Por algumas razão não muito clara, o Brasil acha urgente a adoção do acordo de “unificação” (que Portugual empurra com a barriga e Angola sequer assinou). É claro que adotar também não significa dar certo. É como alguém aí disse. As pessoas não sabiam usar o hífen antes. E continuarão sem saber.

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