A Veja é a revista que sempre mete o pau no Governo e no PT, enquanto a CartaCapital é aquela que sempre os defende, muitas vezes ao arrepio dos fatos. Certo? O que dizer, então, do caso do italiano Cesare Battisti, tema de destaque nas edições desta semana de ambas as publicações?

Para a Veja, apesar dos muitos poréns, “Tarso [Genro, ministro da Justiça] pode estar certo” (Carta ao Leitor) e “pode ter tido boas razões” (matéria “Obrigado, Tarso Genro). A CartaCapital, por sua vez, vê “Afrontado o Estado italiano” (A Semana), tese defendida em mais detalhes na matéria “Cesare: veni, vidi, vici“.

A cobertura do caso pode ser uma prova da imparcialidade das duas revistas. Ou, o mais provável, de outra coisa qualquer.

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Cão-peixe

janeiro 16, 2009

Devo ser uma das poucas pessoas que assiste comerciais por gosto. E, às vezes, vendo uma coisa realmente original, me pergunto: “De onde é que eles tiraram isso?”

 

A última vez em que me fiz essa pergunta foi vendo uma propaganda de carro em que um surfista tem um cão-peixe – que o acompanha a todos os lugares.

 

De onde foi que tiraram isso?

 

Daqui:

garf11

gaf2

garf3

Para quem gosta de referências bibliográficas: Garfield e seus amigos, Editora L&PM, 2007.

O outro lado da ideia

janeiro 6, 2009

Incapaz de parir algo mais original, ou menos cretino, do que a média do publicado pela imprensa nativa, resolvi dar uma olhada nos jornais lusos. Lá, não como cá, nem tudo são flores. O texto, com data de 1º de janeiro, é do Diário de Notícias. Os destaques são do blogue.

Acordo ortográfico entra em vigor no Brasil
ISABEL PEIXOTO *

O Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa entra esta quinta-feira em vigor no Brasil, com um prazo de adequação até 2012, mas pode falhar na prática. O alerta é dado pelo presidente do Instituto Internacional da Língua Portuguesa.

Assinado em 1990, o acordo pode falhar caso não seja elaborado um vocabulário ortográfico comum entre Portugal e o Brasil, que é o primeiro signatário a adoptar oficialmente as novas regras. Em Portugal, ainda não há uma data para a aplicação, sabendo-se apenas que o período de transição será de seis anos. Godofredo de Oliveira Neto, que preside ao Instituto Internacional da Língua Portuguesa (IILP), afirmou que, se a convenção internacional não for adoptada igualmente por todos os países, “o acordo fica desacordado”.

“A construção de um vocabulário ortográfico comum é um dos artigos mais importantes exposto no acordo. Se não tiver regras, não tem acordo“, disse o escritor, ao frisar que os linguistas portugueses e brasileiros têm de estar em sintonia “sobre a interpretação deste acordo ortográfico”. No seu entender, “o que falta é uma união dos especialistas e não dos políticos, e isso pode prejudicar a implantação do acordo na sua plenitude”.

Para o presidente do IILP, organismo ligado à Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), é indispensável o entendimento entre a Academia Brasileira de Letras (ABL) e a Academia das Ciências de Lisboa, instituições responsáveis pela elaboração do vocabulário ortográfico para servir como referência para os dicionários. “O acordo deixou algumas coisas em branco como, por exemplo, o uso de hífen, que dá margem a interpretações diversas”, exemplificou, referindo que a ABL defende que o hífen seja abolido e que a Academia das Ciências de Lisboa discorda.

Oliveira Neto adianta que a união ortográfica faz parte do projecto de consolidação do Português como língua internacional e a falta de consenso entre os linguistas dificulta esta integração. “A união da ortografia contribuirá para facilitar a circulação de obras nos países lusófonos, além do uso comum da língua na Internet e no audiovisual, que também saem fortalecidos”, sublinhou ainda.

No âmbito da CPLP, será organizada no primeiro semestre deste ano uma reunião com especialistas da ABL e da Academia das Ciências de Lisboa, juntamente com os representantes dos ministérios da Educação dos países da CPLP.

O acordo não podia entrar em vigor sem ser ratificado por, pelo menos, três parlamentos de países de língua portuguesa. Portugal, Brasil, São Tomé e Príncipe e Cabo Verde já o fizeram, faltando Angola, Moçambique, Guiné-Bissau e Timor-Leste. Numa recente reunião da CPLP, o ministro português da Cultura, Pinto Ribeiro, disse estar “firmemente convencido” de que a entrada em vigor do acordo vai ocorrer ainda durante a presidência portuguesa da organização lusófona, que termina em meados de 2010.

Em épocas instáveis, a análise econômica fica muito perto do que aparece nessa charge, que achei no livro A ciência ri, o melhor de Sidney Harris (Ed. Unesp).

Econometria aplicada em épocas de mudança brusca

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