Rio londrino

dezembro 31, 2008

Os casacos e a chuva insistente deste verão são argumentos do tipo que a gente sente na pele, não tem como rebater. O clima está mudando – e para pior.

Só espero que aquela história de aumento do nível dos mares não seja assim tão séria.

Estação ferroviária - Londres - 2007

Estação ferroviária - Londres - 2007

 

 

Risos e abraços

dezembro 20, 2008

"Bear market", ou, mercado em queda

Big polar bear market

O ar festivo do encontro de presidentes desta semana – na Bahia – pode parecer um pouco irônico daqui a alguns meses. E, se não parecer, vai derrubar a tese de que o que mantêm ou derruba governos é muito mais o ciclo econômico do que as decisões que esses governos tomam.

Os governos podem ajudar, ou atrapalhar, mas o petróleo a US$ 147 (ou US$ 35,  como esta semana) pesa mais do que qualquer discurso populista em países que dependem muito da exportação do dito.

Os risos e abraços de Hugo Chaves, Evo Morales e Rafael Correa talvez tenham mais a ver com o passado que com o futuro próximo. Eles não só contavam com um petróleo mais caro, como criaram – em seus países – expectativas que não conseguirão atender quando a receita do governo cair.

E vão ter de administrar a insatisfação popular em uma hora em que não há crédito externo para pedir emprestado.

Curioso que o governo linha dura de George W. Bush tenha – sem querer – bancado a ascensão de figuras como Morales e Correa – e que sua derrocada, de algum jeito, possa levá-los junto.

O estímulo exagerado ao consumo nos EUA veio com as compras de petróleo caro de Chaves, Morales e Correa. Com dinheiro na mão, eles fizeram os maiores disparates ecônomicos – certos de que poderiam contar com mais no ano que vem.

Para quem defende políticas econômicas responsáveis, existe uma satisfação secreta – e até meio vil – em ver os delírios econômicos terminando em naufrágio.  Em vez de se defender do ciclo econômico, os três presidentes tostaram os recursos na fase boa. Agora, vão ficar com o pires na mão – e saudades do tempo do riso fácil.

Brasil-sil-sil-sil-sil

dezembro 10, 2008

Começou, na semana passada, a venda de ingressos para os shows do Radiohead no Brasil, em março. Não sei como anda o processo nas bilheterias do Pacaembu (SP) e Maracanãzinho (RJ), mas, via internet, chega a dar orgulho de ser brasileiro. São duas opções: com entrega em casa, a entrada inteira de R$ 200 sai por R$ 240 (taxa de “conveniência” de 20%); com retirada pessoalmente, sai por R$ 232 (taxa de 16%). O interessante mesmo é entrar no site da banda, que vende bilhetes, para os mesmos shows, por $ 80. Com taxa de “conveniência” de 10%. Abaixo a concorrência desleal!

Dragão inflacionário de duas cabeças

Dragão inflacionário de duas cabeças

Os Estados Unidos deveriam soltar o dragão. A proposta – a princípio indecente – é do ex-economista-chefe do FMI Kenneth Rogoff. Esta semana ele publicou um artigo em que recomenda que o governo dos EUA estimule a inflação para tentar combater a recessão no país.

 

Não tenho dificuldade em imaginar Rogoff, um sujeito alto e careca, em uma fortaleza medieval sitiada por lesmas, mandando baixar a ponte levadiça e soltar o monstro.

 

A ponte levadiça desce e sai um filhote de dragão, meio perdido, sem saber bem o que fazer. É que Rogoff recomenda uma inflaçãozinha, nada muito exagerado, para dar jeito na crise. 

 

Mas ele mesmo admite que inflaçãozinha é um bicho que cresce rápido.

 

A inflação poderia acelerar o ajuste da economia americana (aumentando o custo de vida em vez de esperar que os preços de imóveis e salários caiam para se ajustar a um cenário de recessão). Na prática, ela diminui o preço real dos ativos e dos salários – aumentando o das outras coisas.

 

De quebra, ela ainda poderia fazer o dólar se desvalorizar – estimulando as exportações americanas – o que também estimula a economia.

 

Mas é o dragão, nosso velho conhecido. A máquina de imprimir dinheiro costuma criar alguns efeitos colaterais violentos. Eles começam com a correria para consumir antes que o dinheiro perca valor e terminam no caos contábil – em que não se sabe mais com preço de quando registrar estoques e pagamentos.

 

A inflação desestimularia a poupança – e poupança já é uma artigo raro nos EUA.

 

Pode ser um pouco de preconceito, mas não gosto de ver nosso velho monstro tratado como um mal menor.

 

Obituário

dezembro 2, 2008

Da Tribuna da Imprensa de ontem, 1º de dezembro de 2008:

A TRIBUNA interrompe momentamente a circulação
POR CULPA DA JUSTIÇA MOROSA,
TENDENCIOSA, DESCUIDADA, DISPLICENTE,
VERDADEIRAMENTE INJUSTA E AUSENTE,
TÃO DITATORIAL QUANTO A DITADURA
O douto procurador-geral da República, Claudio Fonteles, recusou o AGRAVO da União, identificando-o como PROTELATÓRIO.

O imodesto ministro Joaquim Barbosa recebeu o AGRAVO da União, sabendo que era PROTELATÓRIO. Levou 2 anos e meio para entender.

Com a mente revoltada e o coração sangrando, escrevo serenamente, mas com a certeza de que é um libelo que atinge, vai atingir e quero mesmo que atinja o sistema Judiciário. As palavras que coloquei como título desta comunicação representam a ignomínia judicial, que se considera poderosa e inatingível, mas é apenas covarde e insensível.

Retira-se dessa acusação global apenas a primeira instância. O juiz que em 1979 recebeu a ação desta Tribuna da Imprensa examinou imediatamente a questão e dividiu a ação em duas. Uma chamada de LÍQUIDA, que decidiu imediatamente e que, lógico, foi objeto de recursos indevidos, malévolos e protelatórios, que é a que está na mesa do ministro Joaquim Barbosa.

A outra, denominada de ILÍQUIDA, juntava e junta prejuízos ainda maiores, como desvalorização do título do jornal, lucros cessantes, páginas em branco durante 10 anos, perseguição aos anunciantes, que intimidados pessoalmente pelo então diretor da Receita deixavam de anunciar. […]

E do Estadão de hoje:

[…] De acordo com a presidente do Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Município do Rio, Suzana Blassa, desde 1995 a empresa não paga Fundo de Garantia do Tempo de Serviço nem INSS. […]