Meia-entrada, volta inteira

novembro 22, 2008

O assunto meia-entrada, de tanto ser debatido sem ser resolvido, é sempre meio aborrecido, mas às vezes aparecem novidades que chamam a atenção. Negativamente, como não poderia deixar de ser. Agora, por exemplo, quando se discute um projeto de lei sobre o tema em tramitação na Comissão de Educação, Cultura e Esporte do Senado, o cidadão fica sabendo que uma das propostas geniais para resolver o problema é centralizar a emissão das carteiras de estudante válidas para obtenção do benefício em duas entidades, a UNE e a UBES.

Ora, num passado nem tão distante, era exatamente assim que (não) funcionava. Até que alguém resolveu questionar a exigência na Justiça, alegando que não podia ser obrigado a se filiar às entidades – aparentemente o pedido da carteirinha funcionava também como um pedido involuntário de filiação – e que fazia jus ao desconto desde que provasse a condição de estudante, por qualquer meio.

É como diziam os sábios publicitários de antigamente: o mundo gira, e a lusitana roda.

Cemitério de mosquitos

novembro 12, 2008

Estou contando os mosquitos mortos em volta da cama. Durante a noite, ouvi alguns estalos e sonhei ter visto minha esposa, com pose de tenista, rebatendo cortadas dentro do quarto.

O verão, pelo jeito, vai ser complicado: com direito a calor, dengue e raquetadas.

Combate ao mosquito - Egito 3000 A.C.
Combate ao mosquito – Egito 3000 A.C.
 
 

 

 A solução é gastar mais. Paul Krugman – Nobel de economia deste ano – e a insuspeita The Economist fizeram coro: se não der para baixar mais os juros, a solução para a crise nos EUA é aumentar a demanda por bens e serviços com política fiscal. 

Política fiscal, nesse caso, pode significar duas coisas: mais gastos do governo ou corte de impostos. Krugman prefere o aumento de gastos públicos.

 

No mesmo artigo em que diz isso, ele reconhece: “É verdade que os americanos, há muito, vinham gastando mais do que tinham. Em meados da década de 80, eles poupavam cerca de 10% da renda. Mais recentemente, porém, a taxa de poupança tem se mantido abaixo dos 2%– às vezes chega a ser negativa – e a dívida do consumidor se elevou a 98% do PIB, duas vezes maior que há um quarto de século.”

 

O governo dos EUA, por sua vez, gasta mais do que arrecada. Em 2008, deve gastar 2,5% do PIB a mais do que vai arrecadar (projeção da Economist). Esse déficit, e o déficit na conta corrente (4,7% do PIB), eram os sintomas de que a economia dos EUA estava desequilibrada e uma crise viria cedo ou tarde.

 

A proposta defendida por Krugman, e pela Economist, aumenta os dois déficits. Ela, na prática, empurra o problema para depois. Faz o que Bush fez nos últimos anos para estimular a demanda e “comprar” crescimento por mais algum tempo, mas não resolve os problemas.

 

O argumento de Krugman é que o ajuste do consumo acontece numa hora particularmente ruim. Mas qualquer hora em que ele ocorra será particularmente ruim.

 

Se os EUA – governo e consumidores – não gastarem menos, a crise continuará à espreita. E os consumidores só gastarão menos com queda na renda ou corte no crédito.

 

Sim, isso vai afetar a oferta de bens e serviços. Menos demanda acabará levando a menos produção. A oferta cairá e economia ficará em recessão.

 

A demanda menor também diminuirá o consumo de importados. Mas, por muito tempo, a importação continuará maior que a exportação – o que faz o dólar perder valor. O dólar barato estimula as exportações americanas, que acabarão representando uma parte maior do PIB.

 

Mais exportações e menos crédito para consumir farão a participação do consumo no PIB cair, diminuíndo o desequilíbrio da economia.

 

Vale a pena suavizar a recessão em alguma medida. Mas evitar a queda da demanda – como fez Bush nos últimos anos – é empurrar o problema com a barriga – e não fazer política econômica.

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Solução keynesiana: governo pode construir pirâmides e esfinges para estimular a economia