Meio ambiente, meia história

outubro 31, 2008

De tempos em tempos, aparece uma matéria sobre o dano ambiental causado pelo descarte de pilhas, baterias, celulares e eletrônicos em geral. O tom é sempre de extrema preocupação com o futuro do planeta e com o bem-estar da humanidade. Tomemos como exemplo a abertura de uma matéria do Jornal Nacional de hoje:

Um problema causado pelos avanços da tecnologia: no mundo todo, 99% dos aparelhos eletrônicos, dos celulares, baterias e pilhas vão parar no lixo. Não é só desperdício, é um perigo.

Um perigo. E a solução, prossegue a matéria, é intensificar a coleta desses materiais para reciclagem. “A resolução do Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama) dá um prazo de dois anos para que as lojas tenham os coletores”, informa, deixando uma esperança no ar. “A Associação dos Fabricantes de Eletroeletrônicos declarou que tem participado ativamente de discussões e projetos sobre resíduos sólidos, pilhas e baterias”, completa, numa demonstração de que as empresas também serão cobradas.

Mas há uma ponta solta: o sujeito que troca de celular todo ano. Esse cidadão, a despeito de só saber usar uma função de seus sempre ultramodernos aparelhos (o telefone), desfaz-se, de 12 em 12 meses, de um monte de produtos químicos e plásticos que, cedo ou tarde, vão parar num aterro sanitário perto de você. Pior: ele tem um amigo que, de dois em dois anos, atualiza o computador, para poder mandar emails e digitar documentos no Word com mais desenvoltura.

São dois personagens que, em seu papel de movimentar a economia, fortalecer a indústria, gerar empregos, não cansam de ser destaque na imprensa escrita, falada e televisionada. É sua outra faceta que nunca se revela. Como poluidores, ainda que involuntários, eles simplesmente não existem.

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2 Respostas to “Meio ambiente, meia história”

  1. Trovão said

    A solução é aumentar os impostos.

    Se o custo de tratar o lixo estiver dentro do preço dos produtos (na forma de um imposto mais alto), não haverá problema em trocar de celular todo ano – ou de computador a cada dois.

    Aumentar imposto nunca é uma proposta simpática mas, neste caso, é uma decisão eficiente. Ela empurra a conta para quem polui. Se o sujeito achar que vale a pena poluir e arcar com os custos, tudo bem.

  2. Madame Mim said

    Tenho antipatia por aparelhos com mil botões que não sei para que servem. Celular, pra mim, tem que servir pra fazer e receber chamadas e só. Se eu achar um aparelho que seja resistente (espero que o último adquirido esteja nessa categoria), só trocarei se perder ou esquecer em algum lugar.

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