Escrever livros sobre o que está acontecendo agora na economia é uma idéia ruim (e não param de saír livros sobre a crise imobiliária, a crise bancária e até a crise do balanço de pagamentos dos EUA). Na melhor das hipóteses, sua explicação para a crise vai virar lugar comum antes do livro chegar aos leitores.

Foi isso o que aconteceu com The new paradigm for financial markets, do investidor quase aposentado George Soros.

Soros, que já ganhou dinheiro em muitas crises, tirou o pijama e voltou a dar palpite na gestão de seu fundo de investimento. Sua análise da crise é boa, mas foi feita em abril deste ano. Não há nada lá que já não tenha saído no jornal.

Ou quase nada. Há um capítulo sobre as teorias de Soros sobre finanças e sobre suas críticas à teoria econômica usada hoje. Apesar do título do livro, ele tenta ser modesto. Diz que, quando era estudante, nos anos 50, não era muito bom em matemática. Por isso, ficava se esforçando para encontrar furos conceituais no modelos que caíam nas provas da London School of Economics. Nos anos seguintes, usou suas críticas para orientar seus investimentos.

Mas suas críticas são mais opinião do que ciência – como ele mesmo admite. Soros não tenta vender opinião como conhecimento. Tanto que passa vários parágrafos falando sobre metodologia da ciência. O melhor do livro são as citações de Karl Popper, excelente teórico do assunto.  

Escrevi tudo isso como desculpa para colar uma das citações do Popper, único trecho do livro que grifei pra ler depois:

“Here comes Popper’s special contribution to our understanding of scientific method. He asserted that scientific laws cannot be verified; they can only be falsified. That is the role of testing. Scientific laws can be tested by pairing off initial conditions with final conditions. If they fail to conform to the scientific law in question, that law has been falsified. Statements that are not subject to falsification do not qualify as scientific. One nonconforming instance may be sufficient to destroy the validity of the generalization, but no  amount of conforming instances are sufficient to verify a generalization beyond any doubt.” 

Para Soros, a crise atual joga por terra alguns pressupostos de muitas teorias. Mas isso é uma opinião. Outra tese que defende – a de que os EUA vão perder espaço no cenário internacional e não terão como continuar com seu padrão de consumo – parece mais bem fundamentada, se apóia na macroeconomia tradicional.

A previsão de que os preços de imóveis nos EUA vão cair mais uns 20% (já tinham caído 10% quando ele escreveu o livro) ainda está para ser testada. Mas parece bem razoável. De qualquer forma, o palpite mais garantido do livro é o de que, em ano eleitoral, o Governo Bush não vai fazer nada que possa incomodar os eleitores. Soluções dolorosas para os problemas de longo prazo da economia só serão cogitadas no próximo governo. Até lá, pelo menos, eles vão continuar se endividando – e consumindo o que conseguirem…

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Acabei de ler na Reuters:

“Por que não se cala?”, diz presidente do Peru a Morales

“O presidente peruano, Alan García, pediu nesta terça-feira para o presidente da Bolívia, Evo Morales, se calar, após comentários de Morales que provocaram uma crise diplomática entre os dois países.

Usando a famosa frase com a qual o rei da Espanha, Juan Carlos, reprimiu Hugo Chávez, presidente da Venezuela, García lançou um “por que não se cala?” para Morales. O presidente boliviano irritou Lima ao afirmar que os Estados Unidos teriam uma base militar no país.

(…)

“Bom, tenho de dizer o mesmo que (o rei) Juan Carlos, da Espanha: ‘por que não se cala?’. Meta-se com o seu país, não com o meu”, disse García a jornalistas.

(…)

O rei da Espanha pediu que Chávez se calasse porque este criticava duramente [e espalhafatosamente]o chefe do governo espanhol, José María Aznar.”