Do porão à televisão

maio 29, 2008

Em 1998, uma menina austríaca de dez anos foi seqüestrada, iniciando um período de oito anos de reclusão num porão minúsculo. Agora, aos 20, ela vai apresentar um programa na rede Puls 4. Uma pergunta singela: só eu acho essa história meio bizarra?

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Zélia

maio 27, 2008

Cada presidente tem a Zélia que merece. A de Lula, tudo indica, se chama Guido Mantega.

Collor foi impeachado, principalmente, pelo delírio de confiscar a poupança da classe média – sem entregar a inflação baixa que prometeu. A corrupção à PC foi um detalhe.

Lula, no primeiro mandato, pareceu ter aprendido com os exemplos: viu a inflação queimar Sarney e Collor e a viu – baixa e controlada – eleger FH duas vezes.

Agora, depois de muitas evocações de Mantega, a inflação está voltando.

O desejo – enorme – de dar subsídios aos empresários amigos – e de criar políticas que gerem doações de campanha no futuro – parece guiar cada passo do ministro da Fazenda.

Mas esses “benefícios políticos” têm que ser pesados contra os custos políticos de deixar a inflação comer a renda dos assalariados.

Quem tem o aluguel corrigido pelo IGP-M já sentiu a pancada. Quem gasta boa parte da renda com comida, também.

E a inflação, diferente do crescimento econômico, é rápida, se faz sentir em poucos meses.

Se a popularidade presidencial começar a descer dos cumes aonde chegou, a explicação será simples, será o chavão do marqueteiro James Carville:

– É a economia…

 

 

Os políticos podem mentir, podem tomar decisões estapafúrdias, podem passar por cima de quase todas as regras do jogo – mas não podem fazer isso o tempo todo. Alguma hora a conta chega.

Infelizmente, quem paga a conta são os de sempre – como está acontecendo agora na Argentina. Os Kirchners – espécie de casal Garotinho do sul – fizeram tudo errado: congelaram preços, ameaçaram empresários, proibiram exportações, romperam contratos e distribuíram dinheiro público entre os aliados.

O resultado: em um primeiro momento, a popularidade de Néstor Kircner disparou e ele elegeu a esposa para a presidência. Mas a farra do curto prazo não tinha como durar para sempre. Com preços congelados ninguém investe, a produção cai e os produtos começam a faltar. Aí não há congelamento que funcione. A resposta dos Kirchners ao aumento de preços? Uma intervenção no instituto de estatística: para baixar a inflação a tapa (nem que seja só nos relatórios oficiais).

Assim, eles deram uma volta nos credores da dívida (que é, em grande parte, corrigida pela inflação), enrolaram os assalariados – que olham para os números oficiais para negociar aumentos – e ainda empurraram, antes das eleições, números falsos para os votantes.

Mas a mentira não pode durar para sempre. Os preços altos, os argentinos sentem no bolso. E a falta de produto – de energia principalmente – eles já sentiram no último inverno.

Ninguém em perfeito juízo investe em um lugar onde nem as estatísticas são confiáveis. E a disposição do governo para passar a mão no dinheiro alheio ficou indisfarçável quando aumentaram para 40% seu estranho imposto sobre exportações – que incide sobre alguns produtos agrícolas.

Os Kirchners estão criando uma nova escola econômica. Os princípios da dita parecem ser os seguintes: pressione as empresas (desestimule a produção), aumente as despesas do governo, maquie alguns números e tudo ficará bem. Ou, dito de outro modo: esqueça o longo prazo e talvez ele nunca chegue.

A Economist dessa semana tem uma boa matéria sobre a decadência (crise econômica e perda de aprovação popular) de Cristina Kirchner. O artigo – Cristina in the land of make-believe – está no link: http://www.economist.com/world/la/displaystory.cfm?story_id=11293743

A matéria fala até da mala de dólares enviada da Venezuela para ajudar em sua campanha eleitoral.