O deus Fufluns

janeiro 16, 2008

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Achei um bom texto para acompanhar uma daquelas fotos de deus grego. Se não servir para mais nada, ele ainda pode virar mote para algum curso de línguas exóticas. Depois vem uma crítica ao jornalismo e afins. É uma crítica curiosa, vinda de um expecialista nos afins. Sintam-se à vontade para discordar.

“Porque venho notando com freqüência que uma idéia que se expressa na língua nativa parece sempre estúpida, comum e sem brilho; mas se for materializada numa língua estrangeira e não familiar tornar-se-á transparente e ganhará nova importância. Um mote jocoso em latim soa muito mais pesado e verdadeiro que o mesmo mote em inglês. Se o estudo das línguas mortas tem alguma importância, o que lamento muito refutar, essa importância reside no fato de nos ensinar o significado do meio verbal por intermédio do qual os pensamentos são expressos. Conhecer a mesma coisa em várias línguas é sabê-la, quando se tem sensibilidade, de maneira mais profunda e mais rica do que se fosse apenas em uma. Se a juventude soubesse que em etrusco o deus do vinho é chamado Fufluns, teria um conhecimento muito maior dos atributos dessa personalidade divina do que os que só a conhecem pelo nome de Baco.

(…)

Fazer dos esportistas profissionais  e disputadores de prêmios  heróis efêmeros já é bastante mau; mas querer imortalizar-lhes a fama é certamente indicativo de profunda vulgaridade e degradação. Tal como a turba romana, as turbas de nossas modernas capitais deleitam-se com esportes e exercícios que elas próprias não praticam; mas, de qualquer maneira, a fama dos nossos esportistas dura apenas alguns dias após seus triunfos. Não gravamos suas efígies em mármore para que atravessem centenas de gerações. Gravamo-las em polpa de madeira, que é quase o mesmo que gravá-las na água. É reconfortante pensar que por volta de 2100 todo o nosso jornalismo, a literatura e a filosofia estarão reduzidos a pó.”

Aldous Huxley, Folhas inúteis

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