Narradores de Javi

Junho 5, 2008

Desisti de ir ao cinema. Quem me expulsou da “maior diversão” não foram o preço do ingresso e a infinidade de comerciais e trailers*. Nem, como grupo amplo, os conversadores. Decidi abdicar dos filmes na telona por obra e graça de uma espécie peculiar, a dos narradores, aqueles sujeitos que contam tudo que se passa na tela. No início, movido pelo preconceito, achei que fosse coisa do “cinemão”. O cara que sai de casa para assistir a Homem de Ferro no primeiro dia de exibição, afinal, merece ouvir a locução da dupla de fãs adolescentes. Agora, alguém pode me explicar o que leva um sujeito à sessão de Longe dela, um filme centrado numa mulher com Mal de Alzheimer, para avisar a todos os companheiros de platéia, certamente na convicção de que estes são cegos, que a Julie Christie apareceu? Que está nevando, que Fulano entrou no carro, que a história é triste ou qualquer coisa que o valha (minha memória para chatos é falha)? Sugestões são bem-vindas.

* A idéia de pagar ingresso não tinha como finalidade justamente remunerar exibidores e produtores?

Aéreo, sem dúvida

Abril 22, 2008

No fim de março, resolvi tentar a sorte e, destemidamente, preenchi um formulário destinado à ouvidoria da Infraero. Minha queixa dizia respeito a um fato tão absurdo quanto corriqueiro: a Gol, mais uma vez, me deixara pastando na sala de embarque, “aguardando a chegada de um vôo de conexão”. Como nunca soube de regulamento citando tal justificativa como aceitável para atrasar a partida de um vôo, decidi aproveitar o tempo ocioso e exercer minha cidadania, ou seja, reclamar.

Escrevi à mão uma reclamação e deixei na caixinha da Infraero.

A resposta, enviada por email já no dia seguinte, mostra que o caos, muito mais que aéreo, é mental. O trecho essencial diz: “A Agência Nacional de Aviação Civil - ANAC, que é a responsável pela regulamentação e fiscalização dos assuntos de competência das companhias aéreas, solicitou-nos que a sua manifestação seja registrada naquele órgão [...]“

Entenderam, meus amigos? Segundo a Infraero, depois de registrar uma reclamação por escrito, com todos os detalhes (número do vôo, data, horário, circunstâncias), devo repetir o processo, para que a Anac possa tomar ciência do fato.

Nem Infraero nem Anac ouviram falar de fotocópia, scanner ou fax. Ou uma da outra.