Sangue

Agosto 12, 2008

Alguns esportes são como o circo romano - sem os leões. A disposição do público, pelo menos, parece a mesma.

O que me fez pensar nisso não foi nenhuma luta de boxe ou judoca saíndo de maca do tatame. Foram as menininhas da ginástica olímpica.

Não bastassem as expressões de pânico das ginastas - que aparecem em close na TV - havia a comentarista julgando suas performances:

- Esse salto foi muito baixo, ela deve perder meio ponto.

A apresentação vinha tensa e cheia de comentários duros sobre as menininhas voadoras, até que uma delas, na saída das barras assimétricas, pousou mal e caíu no chão.

- Menos oito décimos - disparou a comentarista.

A câmera mostrou então a pele levantada da mão da menina.

- Arrebentou o calo - disse a comentarista.

O médico da equipe veio estancar o sangue.

- Tem que estancar isso para disputar a próxima prova.

Mas o esdrúxulo, o que ninguém questiona, o que acham normal, é a menina ter aguentado a dor e rodado nas barras assimétricas com a pele da mão saíndo. Isso faz parte do show. Em alguma medida, pelo jeito, isso é o show.

Acabei de ler na Reuters:

“Por que não se cala?”, diz presidente do Peru a Morales

“O presidente peruano, Alan García, pediu nesta terça-feira para o presidente da Bolívia, Evo Morales, se calar, após comentários de Morales que provocaram uma crise diplomática entre os dois países.

Usando a famosa frase com a qual o rei da Espanha, Juan Carlos, reprimiu Hugo Chávez, presidente da Venezuela, García lançou um “por que não se cala?” para Morales. O presidente boliviano irritou Lima ao afirmar que os Estados Unidos teriam uma base militar no país.

(…)

“Bom, tenho de dizer o mesmo que (o rei) Juan Carlos, da Espanha: ‘por que não se cala?’. Meta-se com o seu país, não com o meu”, disse García a jornalistas.

(…)

O rei da Espanha pediu que Chávez se calasse porque este criticava duramente [e espalhafatosamente]o chefe do governo espanhol, José María Aznar.”

Eu acuso… e defendo!

Março 18, 2008

Ainda que pese o benefício da dúvida, a história é tão surreal e ao mesmo tempo sintomática, que vale a pena reproduzir. Procurei a fonte original (Diário do Pará), mas só consegui uma reprodução do Sindicato dos Bancários do Pará e Amapá:

“O advogado e ex-gerente jurídico do Banco da Amazônia, Deusdedith Freire Brasil, e a advogada Patrícia de Nazareth da Costa e Silva, são acusados de improbidade administrativa pelo Ministério Público Federal (MPF) no Pará que entrou com ação contra eles. Segundo o MPF, eles teriam aproveitado a posição do advogado no banco para conseguir clientes para o escritório particular de advocacia em que atuavam. O processo, aberto na Justiça Federal em Belém no final de fevereiro, está em fase de notificação dos acusados.

O ex-gerente jurídico estaria atuando ao mesmo tempo contra e a favor do banco da Amazônia em relações trabalhistas de ex-empregados da Blitz de Segurança e Vigilância, prestadora de serviços ao Banco, segundo denúncias do Ministério Público do Trabalho (MPT), em 2007. As investigações do MPF concluíram que causas trabalhistas de mais de 50 ex-empregados da Blitz foram patrocinadas pelo escritório de Deusdedith Brasil.

Perícia lingüística feita pelo Centro de Letras e Artes da Universidade Federal do Pará (UFPA) comprovou que textos de Deusdedith Brasil, como advogado do Banco, e de Patrícia Silva, como advogada dos ex-funcionários da empresa de segurança, praticamente não tinham diferenças. Vários depoimentos registrados na ação mostram que o gerente indicava sua sócia para atuar em causas judiciais quando era procurado pelos ex-empregados da Blitz, segundo o MPF.

“No que diz respeito ao comportamento de Deusdedith Freire Brasil, verifica-se ofensa ao magno cânone da moralidade administrativa. Não se mostra reto e leal um agente público utilizar-se da função ocupada na administração pública para arregimentar clientes para obter ganhos particulares ou mesmo beneficiar terceiros”, diz o texto da ação.

Em relação à Patrícia Silva, a ação cita o artigo da lei de improbidade administrativa (lei 8.429/92) que determina que as disposições são aplicáveis àqueles que, mesmo não sendo agente público, induza ou concorra para a prática do ato de improbidade ou dele se beneficie sob qualquer forma direta ou indireta.

Os acusados podem perder os bens ou valores acrescidos ilicitamente ao patrimônio, ter que ressarcir integralmente o dano, perde a função pública se condenados.

Também poderão ter seus direitos políticos suspensos, além de estarem sujeitos ao pagamento de multa e à proibição de contratar com o Poder Público ou receber benefícios ou incentivos fiscais ou de crédito.

Além dessa ação, Deusdedith Brasil é réu em outras duas ações ajuizadas pelo MPF. Uma também por improbidade administrativa, pela possibilidade de interferência ao acusado nas provas judiciais, e uma ação penal por produção e uso de documento falso e fraude processual.”

Difamação

Fevereiro 11, 2008

Inconformada com a absoluta independência dos moscosos, a revista Veja iniciou mais uma repugnante campanha de difamação, atestada pela “matéria” publicada na edição da semana passada. Confira no trecho abaixo:

“Para entender como o álcool atua no sistema nervoso, cientistas da Universidade do Estado da Pensilvânia resolveram embriagar drosófilas, as moscas-das-frutas, um dos organismos mais propícios a experiências de laboratório. Eles submeteram as drosófilas ao vapor alcoólico dentro de uma câmara de plástico apelidada de flypub (em inglês, bar das moscas). Quando expostos ao álcool, os machos da espécie ficaram excitados e passaram a cortejar outros machos. Chegaram a formar ‘trenzinhos’, um subindo sobre o outro. Sem o estímulo do álcool, os machos normalmente acasalam apenas com parceiros do sexo oposto. O estudo conclui que o álcool afeta da mesma forma o sistema nervoso dos seres humanos e das drosófilas, deixando-os mais desinibidos sexualmente. Há a hipótese de que o álcool apenas interfira na capacidade da drosófila de identificar os hormônios sexuais característicos das fêmeas.”

Moscones

Fevereiro 6, 2008

Não consigo evitar. Desde que surgiu a larva deste blog minha mente faz uma associação automática entre moscosos e aspones. A explicação óbvia - sermos de fato aspones - é inverídica. Portanto, precisarei de mais tempo para refletir sobre o tema, em extenuantes sessões de auto-análise.

No ínterim, trago para debate, sem nenhuma razão aparente, dados interessantes publicados pelo Correio Braziliense na última quarta-feira, 30 de janeiro, em matéria revelando que as mulheres ganham mais do que os homens no Distrito Federal:

“A justificativa para o bom resultado das trabalhadoras nas duas unidades da federação, segundo análise de especialistas do ministério, é a forte presença do estado como empregador. Em Brasília, pelos números da Rais, 41,6% dos trabalhadores com carteira assinada estão no serviço público. No Amapá o número é ainda maior, de 43,3%, e mais que o dobro da média nacional, de 21,9%. “A presença do setor público na economia é muito grande nesses locais e os salários mais altos do setor público acabam puxando a média para cima”, justifica o diretor de qualificação do ministério, Ezequiel Nascimento.”