Empresários e políticos têm uma capacidade impressionante de não ver o que não lhes interessa. Não estão vendo, por exemplo, que as importações do país tomaram um tombo impressionante no primeiro trimestre (mais de 16% em volume) e que, como aqui é um lugar menos pior que vários outros nessa época de crise, o investimento de estrangeiros no Brasil tende a aumentar.
Bom, talvez isso eles até estejam vendo. O que fingem que não vêem é que essas duas coisas fazem o Real se valorizar. Não vêem também que é muito contraditório criar barreiras à importação numa época em que as importações já estão caíndo. Criando barreiras para alguns produtos, vão fazer o Real se valorizar mais – pois vai sair menos dólar para pagar pelos importados – e a vida dos exportadores vai ficar mais difícil.
Não existe mágica para controlar o câmbio. Num artigo publicado hoje no Estadão, Rogério Werneck, da PUC-RJ, tentou lembrar os leitores disso. Boa parte vai fingir que não leu e continuar falando em métodos da carochinha para controlar o câmbio.
Eu, que não influencio política nenhuma, vou aproveitar o câmbio que os industriais-incentivadores-de-barreira-alfandegária ajudam a valorizar: vou viajar nas férias, comprar dólares baratos e ir para o Chile, que está em promoção.
O Ministério da Saúde adverte que não é bom viajar para lá – o que derruba ainda mais os preços…

A crise - Museu de Belas Artes - Santiago do Chile
Governo cria estágio informal
Setembro 26, 2008
Não contente em ter 60% de informalidade no mercado de trabalho do país, o governo confirmou hoje que não vai fazer nunca a reforma trabalhista. Além de não desregulamentar o mercado de trabalho – o que facilitaria a contratação com carteira assinada – o governo regulamentou os estágios.
Agora, empresas que não queiram dar férias proporcionais (30 dias por ano) e adotar o horário de trabalho previsto na lei terão que contratar seus estagiários informalmente – como já se faz no mercado de trabalho para não-estagiários.
Abaixo, a nota da Agência Brasil:
Nova regra de estágio dá direito a férias remuneradas de 1 mês
Alunos do ensino fundamental devem ter carga horária de 4 horas e do ensino superior podem trabalhar até seis
Agência Brasil
BRASÍLIA - O governo publicou no Diário Oficial da União desta sexta-feira, 26, a atualização da Lei do Estágio. De acordo com a lei, a partir de agora, os estagiários que tenham contrato com duração igual ou superior a um ano têm direito a 30 dias de recesso, preferencialmente durante as férias escolares.
Além disso, os dias de liberação previstos na norma serão concedidos, de maneira proporcional, nos casos de o estágio ter duração inferior a um ano. A legislação também prevê que o recesso deverá ser remunerado quando o estagiário receber bolsa ou outra forma de contraprestação.
Quanto à duração do estágio, a norma determina que estudantes da educação especial e dos anos finais do ensino fundamental só podem ser contratados para a carga horária de quatro horas diárias de trabalho. Os alunos do ensino superior, da educação profissional de nível médio e do ensino médio regular podem trabalhar até seis horas diárias e os estágio de 40 horas semanas destinam-se aos matriculados em cursos que alternem aulas teóricas e práticas.
Acabei de ler na Reuters:
“Por que não se cala?”, diz presidente do Peru a Morales
“O presidente peruano, Alan García, pediu nesta terça-feira para o presidente da Bolívia, Evo Morales, se calar, após comentários de Morales que provocaram uma crise diplomática entre os dois países.
Usando a famosa frase com a qual o rei da Espanha, Juan Carlos, reprimiu Hugo Chávez, presidente da Venezuela, García lançou um “por que não se cala?” para Morales. O presidente boliviano irritou Lima ao afirmar que os Estados Unidos teriam uma base militar no país.
(…)
“Bom, tenho de dizer o mesmo que (o rei) Juan Carlos, da Espanha: ‘por que não se cala?’. Meta-se com o seu país, não com o meu”, disse García a jornalistas.
(…)
O rei da Espanha pediu que Chávez se calasse porque este criticava duramente [e espalhafatosamente]o chefe do governo espanhol, José María Aznar.”
Zélia
Maio 27, 2008
Cada presidente tem a Zélia que merece. A de Lula, tudo indica, se chama Guido Mantega.
Collor foi impeachado, principalmente, pelo delírio de confiscar a poupança da classe média – sem entregar a inflação baixa que prometeu. A corrupção à PC foi um detalhe.
Lula, no primeiro mandato, pareceu ter aprendido com os exemplos: viu a inflação queimar Sarney e Collor e a viu – baixa e controlada – eleger FH duas vezes.
Agora, depois de muitas evocações de Mantega, a inflação está voltando.
O desejo – enorme – de dar subsídios aos empresários amigos – e de criar políticas que gerem doações de campanha no futuro – parece guiar cada passo do ministro da Fazenda.
Mas esses “benefícios políticos” têm que ser pesados contra os custos políticos de deixar a inflação comer a renda dos assalariados.
Quem tem o aluguel corrigido pelo IGP-M já sentiu a pancada. Quem gasta boa parte da renda com comida, também.
E a inflação, diferente do crescimento econômico, é rápida, se faz sentir em poucos meses.
Se a popularidade presidencial começar a descer dos cumes aonde chegou, a explicação será simples, será o chavão do marqueteiro James Carville:
– É a economia…

