Câmbio – para viajantes e compradores de muamba
Abril 19, 2009
Nada é menos confiável do que previsão de economista. Algumas cartomantes têm históricos melhores.
A Goldman Sachs, por exemplo, previu, há pouco mais de um ano, que o barril de petróleo poderia chegar a US$ 200. Feita a previsão, os preços começaram a cair e estão hoje em torno de US$ 50.
Esses erros de previsão têm efeitos colaterais curiosos. Graças a esse do petróleo, podemos ver Hugo Chaves mais manso, agora que o seu principal produto de exportação vale muito menos do que esperava.
Mas, se a previsão em si não vale muita coisa, a explicação sobre como foi feita talvez seja mais ou menos útil.
As taxas de câmbio, por exemplo, devem mudar. O dólar deve cair mais.
Por quê? Porque, apesar da crise, os EUA continuam com um déficit comercial respeitável (US$ 797,1 bilhões entre fevereiro de 2008 e janeiro de 2009), quer dizer, eles continuam importando mais do que exportam. Com isso, jogam mais dólares no mercado externo (quando importam) do que tiram de volta (quando exportam). A grande oferta de dólares contribui para derrubar seu preço, sua cotação em outras moedas.
A conta corrente – que inclui, além do comércio, a renda enviada e recebida de outros países – teve um rombo de US$ 673,3 bilhões em 12 meses, ou 3,3% do PIB americano. E os juros – de 0,5% ao ano – também não são muito atraentes para quem pensa em investir em títulos do governo americano.
Até agora quem fechava a conta externa dos EUA eram os investimentos estrangeiros (de China e Japão, principalmente), mas eles devem diminuir.
Mas duas coisas complicam as contas: a primeira é que União Européia e Reino Unido também têm déficits em conta corrente (1,0% e 1,7% do PIB respectivamente); a segunda é a valorização que o dólar teve desde o começo da crise – o que, à primeira vista, não faz muito sentido.
Mas, olhando com mais calma, podemos imaginar que a valorização do dólar teve mais a ver com investidores vendendo o que tinham (aqui, na Europa e na Inglaterra) para tapar rombos financeiros nos EUA.
Passado esse primeiro efeito, voltamos às tendências de longo prazo, quer dizer, à tendência de que o dólar caia em relação a outras moedas (ao real, inclusive).
Melhor para quem viaja e compra muamba, pior para quem investe nos Estados Unidos (ou exporta para lá).

Zhou Xiaochuan, presidente do BC chinês: "Deveríamos substituir o dólar por alguma coisa melhor."