Os políticos podem mentir, podem tomar decisões estapafúrdias, podem passar por cima de quase todas as regras do jogo – mas não podem fazer isso o tempo todo. Alguma hora a conta chega.

Infelizmente, quem paga a conta são os de sempre – como está acontecendo agora na Argentina. Os Kirchners – espécie de casal Garotinho do sul – fizeram tudo errado: congelaram preços, ameaçaram empresários, proibiram exportações, romperam contratos e distribuíram dinheiro público entre os aliados.

O resultado: em um primeiro momento, a popularidade de Néstor Kircner disparou e ele elegeu a esposa para a presidência. Mas a farra do curto prazo não tinha como durar para sempre. Com preços congelados ninguém investe, a produção cai e os produtos começam a faltar. Aí não há congelamento que funcione. A resposta dos Kirchners ao aumento de preços? Uma intervenção no instituto de estatística: para baixar a inflação a tapa (nem que seja só nos relatórios oficiais).

Assim, eles deram uma volta nos credores da dívida (que é, em grande parte, corrigida pela inflação), enrolaram os assalariados – que olham para os números oficiais para negociar aumentos – e ainda empurraram, antes das eleições, números falsos para os votantes.

Mas a mentira não pode durar para sempre. Os preços altos, os argentinos sentem no bolso. E a falta de produto – de energia principalmente – eles já sentiram no último inverno.

Ninguém em perfeito juízo investe em um lugar onde nem as estatísticas são confiáveis. E a disposição do governo para passar a mão no dinheiro alheio ficou indisfarçável quando aumentaram para 40% seu estranho imposto sobre exportações – que incide sobre alguns produtos agrícolas.

Os Kirchners estão criando uma nova escola econômica. Os princípios da dita parecem ser os seguintes: pressione as empresas (desestimule a produção), aumente as despesas do governo, maquie alguns números e tudo ficará bem. Ou, dito de outro modo: esqueça o longo prazo e talvez ele nunca chegue.

A Economist dessa semana tem uma boa matéria sobre a decadência (crise econômica e perda de aprovação popular) de Cristina Kirchner. O artigo – Cristina in the land of make-believe – está no link: http://www.economist.com/world/la/displaystory.cfm?story_id=11293743

A matéria fala até da mala de dólares enviada da Venezuela para ajudar em sua campanha eleitoral.

Deixe um comentário