Presente de grego (ou Viva a Nike)
Março 2, 2008
Recentemente, um grande amigo fez a maldade de me dar um livro de economia. A grande perversidade dos economistas é que, se não tomamos o devido cuidado, eles nos levam para o lado negro da força. O economista clandestino, o tal livro, uma tradução um pouco desleixada do original em inglês de Tim Harford, tem esse poder. Aos poucos, o leitor começa a acreditar que o capitalismo é mágico e que as grandes empresas só querem o bem da humanidade. Leiam a passagem abaixo sobre os célebres sweatshops - e, por favor, me dêem um bom argumento para eu discordar do seu teor:
“A jornada é longa e os salários são pífios. Mas isso é o sintoma e não a causa da pobreza global. Os trabalhadores aceitam esses empregos voluntariamente. O que significa, por mais difícil que seja de acreditar, que suas alternativas são piores. E eles não largam esses empregos. Os pedidos de demissão nas fábricas de multinacionais é baixo, porque as condições e o salário, ainda que ruins, são melhores que os das empresas locais. [...] Qualquer pessoa com um mínimo de preocupação pelos seres humanos deveria repudiar a situação, mas também deveria entender que a Nike e outras multinacionais não são responsáveis por esse quadro desolador.”
Março 3, 2008 às 11:25 am
O curioso é pensar que, se for isso mesmo, o lado negro da força é o dos sujeitos que protestam contra a importação de Nikes feitos em sweatshops. Se for isso, os obscurantistas são os manifestantes anti-globalização…